Capa do livro “Chico Mendes para crianças”

É bom ver gente ajudando na memória do Chico Mendes.

Não gostei de um ponto do livro da Fátima: a forma como a floresta entra na obra.

Trabalho com a  Amazônia. Um dos focos é familiarizar as pessoas com nossas florestas.

Percebi que na história perpetua mitos que não ajudam as pessoas a se aproximar delas.

Ali parece que a floresta oprime as personagens. Como se as florestas estivessem distantes do mundo das pessoas, que vivem na cidade. O que é um equivoco. Elas vivem no nosso cotidiano.

Nossas opções diárias impactam diretamente ou indiretamente a floresta amazônica. A carne que comemos, as roupas que compramos os politicos que levamos ao poder.

Mesmo assim, seguimos acreditando que florestas são o contriário das cidades e nao uma extensao.

O livro ajuda nessa crença.

Prefiro pensar que nossas florestas, no lugar de isolar, quem mora dentro delas, na verdade, protege. Protege os ribeirinhos, a fauna e as águas que bebemos, nós mesmos.

Culturas milenares ainda estão sobrevivem, porque a floresta (tão grande como o mundo, pensando como Guimarães Rosa) as protegeu e preservou.

Outra questão, que não concordo é que floresta só dá lucro pra bandido.

Meu trabalho é também criar valor para nossas áreas florestais para que não sejam substituídas por pastagens.

Já imaginaram quanto vale a chuva que a floresta amazônica joga para a agricultura do centro-sul?

Os recursos que oferecem, se bem manejados, podem distribuir benefícios diretos pra quem vive protegido por elas.

Esse, aliás, é o ensinamento que o Chico Mendes deixou. Mas tá difícil de disseminar.

Mandei essa mensagem pra Fátima e parabenizei pela ajuda dela. Mas lembrei que esses são os grandes ensinamentos de Chico Mendes. E que, se ela quisesse ajudar a divulgar, ele vai ficar feliz lá onde estiver (no meio do mato, tenho certeza).

Blog da Fatima: Mariazinha zinha zinha